É difícil acreditar, mas eu queria muito ter trabalhado neste fim de semana cobrindo o GP da Austrália. De madrugada, mesmo. Perderia minha noite, mas veria um momento histórico. Porém, por questão da escala do Grande Prêmio, fui para Interlagos. Nada de ruim, diga-se, porque é muito bom fazer uma cobertura in loco. Mas vou falar a vcs… cobrir a Stock Car é bem chatinho.
Nunca fui fã da Stock e agora sou menos ainda. O que vi em Interlagos foi de doer. Por mais que o Felipe Giaffone tenha me falado que o problema dos “capôs voadores” é o menor de todos que esse novo carro tem, não dá para aceitar uma coisa como essa. Como já ouvi por aí, imagina se esse capô voa na torcida – o que era perfeitamente possível, visto a altura a que chegou o capô do bólido de Allam Khodair. Aí, esse seria o MAIOR dos problemas.
Conversei com muitos pilotos sobre o assunto. Ricardo Maurício, Thiago Camilo, Giuliano Losacco, Ricardo Zonta, Paulo Salustiano, Antonio Pizzonia, Cacá Bueno, Marcos Gomes, Max Wilson e Duda Pamplona. Depois tento pegar um apanhado do que eles falaram para colocar aqui. Mas, de antemão, informo: apenas Cacá Bueno criticou publicamente o novo carro. A maioria botou panos quentes. Dizem que eles não podem criticar a V8. O caso do filho do Galvão é um caso à parte, sempre o vi falando sem papas na língua.
Tive a informação de que o carro de Thiago Camilo pegou fogo internamente, nada muito intenso, mas que é sério de qualquer maneira. Ele me falou que não houve isso, que o problema estava no calor do motor que entrava pra dentro do veículo, queimando o pé dele.
Aliás, esse era um problema crônico. Vários pilotos reclamaram que estavam com os pés ardendo. Muitos colocavam seus pés em uma bacia d’água para esfriá-los após saírem do carro.
Está muito óbvio que o carro nasceu com inúmeros defeitos. Inúmeros. Os chefes de equipe sabem disso, tanto que a maioria deles esteve presente em uma reunião às pressas com Carlos Montagner, diretor da prova, para discutir sobre o que deveria ser feito após o incêndio do carro de Cacá Bueno.
O Zonta me disse: “O desenvolvimento do carro seria feito nessa prova, mesmo”. Quer uma coisa mais varzeana do que essa? O carro tinha de estar pronto e 100%. Caso contrário, adie-se o início do campeonato. E ainda tem o fogo no pit-stop do Allam Khodair, os buracos nas arquibancadas, a troca de pneus obrigatória que é cancelada por falta de treino, a entrada do safety-car que não serve para nada, a Globo que prefere transmitir amistoso de futsal…
Por essas e outras que não dá para levar a Stock a sério. Não gosto do ambiente, acho que tem muita gente lá que está lá só para se divertir e ter status, muita coisa me aborrece, muito chato. Nunca deixarei de trabalhar em uma etapa, porque, bem ou mal, curto fazer trabalhos como esse e encontro amigos na sala de imprensa, mas vou falar: a madrugada ”mágica” da Brawn me deixaria muito mais satisfeito.
Em tempo: graças à Stock e às minhas saídas noturnas, não vi a prova. Arrependimento eterno.